Medalha de Henrique Guimarães em Atlanta 1996 completa 30 anos neste sábado

Medalha de Henrique Guimarães em Atlanta 1996 completa 30 anos neste sábado

 

Três décadas depois, a conquista do judoca paulista permanece como um dos capítulos mais marcantes do esporte olímpico brasileiro.

O dia 25 de julho de 1996 completa agora 30 anos, mas continua inesquecível para Henrique Guimarães — e para o esporte brasileiro. Foi naquela data que o judoca, atual presidente da Fpjudô, conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta, nos Estados Unidos, subindo ao pódio olímpico em uma das campanhas mais emocionantes do judô nacional. Um feito que, três décadas depois, segue sendo celebrado como um divisor de águas na história da modalidade no país.

A trajetória até Atlanta foi mais rápida do que o próprio atleta imaginava. Convocado para a Seleção Brasileira em 1990, aos 19 anos, Henrique via os Jogos Olímpicos como algo distante.

“Quando eu entrei na Seleção, em 1990, estava na metade do ciclo olímpico de 1992, de Barcelona. A Olimpíada era muito distante para mim. Mas, de repente, o processo começou a ser muito rápido, e já em 1990 começou a surgir a possibilidade de tentar a vaga. Só que eu era muito novo, tinha 19 anos. Em 1994, virei titular da Seleção e deu no que deu. Participei do Mundial e, em 1996, ganhei a vaga para Atlanta”, relembra o judoca.

Em solo americano, Henrique fez uma campanha de superação. Depois de estrear com duas vitórias, a derrota na terceira luta o obrigou a trilhar o caminho mais difícil: a repescagem, onde qualquer erro significaria o fim do sonho.

A campanha teve início com a vitória sobre o francês Larbi Benboudaoud na estreia; depois, Henrique venceu o coreano Sung-Hoon Lee na segunda luta. Na terceira luta, sofreu derrota para o húngaro József Csák, medalhista de prata nos Jogos de 1992. A partir daí, veio a repescagem, com vitórias sobre o sul-africano Duncan Mackinnon e o búlgaro Ivan Netov. Na disputa pelo bronze, venceu o belga Philip Laats por ippon, medalhista europeu.

O próprio Henrique descreve a tensão daquele dia como algo único. “Peguei uma chave muito difícil e voltei para a repescagem. É uma coisa de louco: você não pode mais errar. Ganhei dos judocas da Bulgária e da África do Sul e, à tarde, iria fazer a disputa por medalha. Fiquei em uma salinha, com quatro metros quadrados. Andando, pensando o que iria fazer”, conta.

A decisão pelo bronze foi resolvida na cabeça — e nas mãos — do brasileiro. “Quando peguei no kimono dele, eu pensei: ‘não perco para esse cara por nada. Não vou perder’. No meio da luta pensei isso. Fiz ele tomar shido, dei um wazari nele e causei mais três punições a ele. Ganhei por ippon”, declarou.

O bronze de Atlanta transformou a vida de Henrique, que ainda somaria medalhas nos Jogos Pan-Americanos de Mar del Plata (1995) e de Santo Domingo (2003), além de conquistas em Campeonatos Mundiais. Antes de se aposentar da Seleção, também disputaria outras duas Olimpíadas, em Sydney 2000 e Atenas 2004, e depois iniciou a carreira de treinador e dirigente esportivo.

“Essa medalha foi um divisor de águas na minha vida”, afirma Henrique.

 

O impacto da conquista, porém, só ficou claro para o atleta ao retornar ao Brasil. “Em Atlanta eu não tinha ainda a noção do que é ser um medalhista. Só tive noção quando cheguei ao Brasil e vi o aeroporto lotado de gente, jornalistas. Hoje vejo a importância de ser um medalhista olímpico, ser bom dentro e fora do tatami. O judô nos ensina a ter essa conduta.”

Ao longo destas três décadas, Henrique Guimarães manteve-se profundamente conectado ao espírito olímpico. Nos 20 anos da conquista, em 2016, foi um dos condutores da Tocha Olímpica no Revezamento que passou por Osasco (SP), rumo aos Jogos do Rio de Janeiro. Em 2024, Henrique foi eleito presidente da Federação Paulista de Judô.

Hoje, à frente da entidade em que trabalha pelo desenvolvimento da modalidade e pela formação de novas gerações de judocas, Henrique retribui ao esporte tudo aquilo que o judô lhe proporcionou.

O novo sempre vem, mas é fundamental não esquecer o passado. Trinta anos depois, a imagem de Henrique Guimarães no pódio de Atlanta permanece como símbolo de superação, disciplina e orgulho para o judô e para o esporte brasileiro.

Na mesma Olimpíada, Aurélio Miguel conquistou sua segunda medalha olímpica, que nesta semana também completou 30 anos: foi ouro em 1988 e bronze em 1996.

Todo o time de colaboradores da Fpjudô parabeniza os paulistas pelos 30 anos da conquista.

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