FPJudô fará treinamentos de campo nas principais competições do Estado

Marco Aurélio Uchida, coordenador técnico da FPJudô © FPJCOM

O objetivo da coordenação técnica da entidade é intensificar o processo de desenvolvimento técnico das classes sub 18, sub 21 e sênior

Por Paulo Pinto / FPJCOM
22 de abril de 2022 / São Paulo (SP)

Após a retomada do judô no pós-pandemia, a diretoria da Federação Paulista de Judô (FPJudô) propôs um diálogo franco com integrantes das principais equipes formadoras do Estado de São Paulo, buscando meios de impulsionar o desenvolvimento técnico dos praticantes. Foram ouvidos mais de 100 técnicos, professores, ex-atletas da seleção brasileira e medalhistas olímpicos, que fizeram numerosas sugestões. Uma das mais recorrentes foi a realização de treinamentos de campo após os campeonatos estaduais.

Marco Aurélio Uchida, coordenador técnico da FPJudô, adiantou que neste ano a inovação terá caráter experimental, começando no Campeonato Paulista Sub 18, dia 14 de maio. O treinamento de campo será realizado no domingo (15), no mesmo local da competição, ou seja, no Ginásio Poliesportivo de São Bernardo do Campo, e será comandado pelos professores Douglas Vieira e Thiago Valadão.

Basicamente, a coordenação técnica da federação vai convidar todos os atletas e técnicos inscritos no certame para participarem do treinamento de campo. A FPJudô pretende, ainda, reunir o maior número possível de técnicos no treinamento exclusivo programado para o fim da competição de sábado. Como forma de apoio, a entidade oferecerá jantar e café da manhã aos treinadores que participarem do evento.

Uchida contou que, no início desta temporada, o tema fora retomado em conversas com os técnicos responsáveis pelos treinos realizados no Centro de Aperfeiçoamento Técnico da FPJudô.

Alessandro Panitz Puglia, presidente da FPJudô © FPJCOM

“No ano passado tivemos vários encontros com os técnicos e ouvimos todas as sugestões feitas por eles, no sentido de acelerar o desenvolvimento técnico do judô paulista. E a recomendação que mais ouvimos foi a inclusão de treinamentos de campo em nossas competições.”

No início dos trabalhos desta temporada a comissão voltou a reunir-se com os técnicos que comandam os treinos no CAT, os professores Thiago Valadão (Associação de Judô Apaja de Atibaia), Alexsander Guedes (Grêmio dos Servidores Municipais de Cubatão), Hatiro Ogawa (Hombu Budokan de São Paulo) e Douglas Vieira (Clube Athletico Paulistano de São Paulo). A realização do treinamento de campo foi consenso. “Nossa ideia”, explicou Uchida, “é realizar treinamentos de campo um dia após os campeonatos paulistas sub 18, sub 21 e sênior. Nas competições do exterior e até mesmo nas promovidas pela CBJ é habitual aproveitar os campeonatos para promover treinamentos. Seguiremos na mesma direção.”

Dirigentes e técnicos avaliam a importância da iniciativa

Alessandro Panitz Puglia, presidente da FPJudô, enfatizou que neste ano será realizada uma espécie de projeto-piloto e que somente a partir de 2023 os treinamentos de campo serão incorporados definitivamente às principais classes.

“A nossa perspectiva é que daremos um passo gigantesco com esta iniciativa, mas desenvolveremos esforços para testar a viabilidade de uma ação inédita em São Paulo, que certamente dará grande contribuição ao aperfeiçoamento dos técnicos e atletas paulistas.”

Alexsander Guedes, técnico do Grêmio dos Servidores Municipais de Cubatão © FPJCOM

Os treinamentos serão monitorados por professores com expertise na área técnica e com muitos anos à frente da seleção brasileira de base, garantiu Puglia. “Alguns poderão alegar que haverá aumento nas despesas, mas eu classifico isso como um pequeno investimento em função da contrapartida que todos terão. O judoca se prepara para uma disputa, mas cai fora na primeira luta. O que ele vivenciou? O que ele aprendeu ou evoluiu em sua luta? Nossa intenção é que todos treinem juntos para aprender e ensinar seus colegas.”

Puglia disse que a negociação com o secretário de Esportes de São Bernardo do Campo está bem avançada e que, muito provavelmente, serão liberadas 80 vagas para quem precisar de alojamento. Isso permitirá que 80 judocas participem do treinamento de campo sem despesas com hospedagem.

O coordenador técnico da FPJudô entende que o importante é nivelar todas as classes por cima e lembra que somente com uma troca de conhecimento e treinamento exaustivo isso será possível.

“Um dos nossos principais objetivos é fazer o judô paulista voltar a ser o que foi no passado e, com esta iniciativa, buscamos prioritariamente oferecer uma experiência muito mais ampla aos nossos atletas, pois sabemos que nem todos têm oportunidade ou possibilidade de conhecer judocas vindos de outras escolas do Estado. Esta experiência possibilitará que o judô deles cresça muito tecnicamente e certamente poderão entregar-se com mais entusiasmo nas competições futuras.”

Arnaldo Queiroz Pereira, secretário-geral da FPJudô © FPJCOM

Arnaldo Queiroz Pereira, secretário-geral da FPJudô, lembrou que com esta iniciativa o judô paulista passará a fazer aquilo que o judô europeu já faz há décadas.

“Com esta resolução criaremos a tradição de realizar treinamentos de campo nos principais certames da federação. E qual é o objetivo disso? Permitir que as novas gerações de atletas se conheçam, convivam e treinem juntas. Da mesma forma, os treinadores terão oportunidade de conviver com os demais técnicos, conhecer o trabalho que seus colegas estão desenvolvendo e trocar informações.”

O secretário-geral lembrou que São Paulo não está inventando nada. “Vamos fazer algo que já é consagrado no judô europeu. Nos anos 1990, em Colorado Springs, nos Estados Unidos, após a competição fazíamos treinamento de campo, assim como no Torneio de Guido Siene, na Sardenha, Itália. Naquela época, os principais torneios da Alemanha também faziam treinamento de campo, bem como na Áustria e na Hungria. Aqui em São Paulo nós seguiremos a experiência dos principais países.”

Douglas Eduardo Vieira, supervisor de judô do Club Athletico Paulistano, enfatizou que os treinamentos de campo representam uma grande oportunidade de crescimento para os técnicos e os atletas.

Uma das reuniões com técnicos, professores e medalhistas olímpicos © FPJCOM

“As competições paulistas proporcionam o encontro de judocas de várias escolas, que se deslocam de várias regiões. Muitas vezes, porém, o atleta perde a primeira luta e não faz mais nenhum confronto. E eu acho que é primordial proporcionar uma troca real de conhecimento, e não somente da parte técnica, mas também da socialização, que é superimportante. Neste tipo de encontro o judoca conhece outras pessoas, troca ideias e edifica amizades que certamente irão auxiliá-lo de alguma forma no futuro. Por exemplo, quando os atletas são de regiões próximas, podem combinar visitas às academias ou até programar treinamentos conjuntos. Tudo isso fortalece o judô do Estado.”

Douglas lembrou que a pandemia veio forte deixou todo mundo parado por dois anos. “Não fizemos absolutamente nada em dois anos e ficamos sem atuar em todo as regiões de São Paulo. Então, eu acho que as competições oferecem uma excelente oportunidade de intercambiar tudo: de amizade a técnica e conhecimento. Isso comprovadamente vai acarretar o crescimento das pessoas envolvidas e espero que a gente consiga fazer com que esses treinos atinjam todos os objetivos.”

“Os técnicos têm de participar, precisam ver isto como um investimento, não como gasto!”

Thiago Valadão, técnico da Associação Paulo Alvim de Judô, de Atibaia, fez uma análise bem pontual da importância dos treinamentos de campo.

“Após tudo que passamos nos dois últimos anos, hoje a maioria das associações e clubes sofre toda sorte de dificuldade. Seja na captação de recursos seja na volta dos alunos, a retomada está sendo muito difícil para todos. Mas quando nós realizamos uma ação destas estamos fomentando a modalidade e explorando verdadeiramente a questão do trabalho técnico nos tatamis, e com este aproveitamento conseguimos minimizar gastos em função do verdadeiro aproveitamento técnico. Com os mesmos recursos que gastaríamos em apenas uma competição, na qual muitos teriam uma participação mínima, será possível competir, treinar e aprender. Economizam-se custos com transporte, alimentação, estadia e tudo que envolve uma disputa.”

Thiago Valadão, técnico da Associação Paulo Alvim de Judô, de Atibaia © FPJCOM

Valadão acredita que nas classes sub18 os jovens fazem uma luta, perdem, não voltam na repescagem e não tiram nenhum proveito de todo o investimento que fizeram. “E nas classes sub 21 os atletas ainda estão em processo de formação, então, precisam passar por várias etapas de aprendizagem e precisamos prepará-los da melhor maneira. Com esta estrutura que a federação está oferecendo agora, o crescimento técnico dos atletas e professores será muito grande.”

Aliás, lembrou Valadão, esta é uma questão que deve ser bem enfatizada: os técnicos têm de participar, precisam ver isto como um investimento, não como gasto. “Eles estarão preparando o atleta dele para o futuro e também vão se reciclar. Não adianta mandar o atleta sozinho para o treino. Quando ele volta para casa, para a cidade e o clube dele, como vai dar continuidade ao treino se o sensei não teve a mesma vivência? Às vezes o atleta pode até dar um feedback do treino, mas o interessante é ter os técnicos presentes, principalmente nos treinamentos de campo, pois participarão ativamente, dando opinião, mostrando o que sabem. Temos de superar a timidez, parar de achar que já sabemos tudo ou não sabemos nada ou temer que nosso atleta seja assediado por outro clube. Nós não podemos ter esse pensamento pequeno. Temos de pensar grande, pensar no macro, visando ao nosso desenvolvimento, pois assim daremos continuidade à transmissão de conhecimento para as futuras gerações.

Segundo Valadão, é assim que a nova geração de técnicos espera que o treinamento de campo funcione, uma pequena mudança possível no mesmo local da competição. “Dá tempo de o pessoal se recuperar para participar e absorver as informações. Este é um caminho que achamos para minimizar a questão de gastos e otimizar a questão de tempo, de troca e aprendizado para todos. Temos de entender que estaremos fazendo um investimento, e não tendo um gasto extra, principalmente no sub 18 e sub 21, que são as classes que vão gerar as nossas futuras seleções paulistas e brasileiras. Concordo totalmente com essas ações da FPJudô em conjunto com os técnicos. Entendo que este é o caminho: todos participando, falando e ouvindo. Após os eventos ouviremos a opinião de todos para avaliar o que foi bom e o que foi ruim, para melhorarmos os próximos.”

O professor Hatiro Ogawa, do Hombu Budokan, parabenizou a diretoria da FPJudô pela iniciativa que, segundo ele, será um divisor de águas no judô paulista.

Douglas Eduardo Vieira, supervisor de judô do Club Athletico Paulistano © FPJCOM

“Agora os nossos atletas poderão conhecer melhor outros competidores e treinar com eles mesmo que geograficamente estejam distantes. Os professores também poderão trocar conhecimento e experiência. Isso é uma oportunidade rara, já que seria muito difícil não só pela distância geográfica, mas porque raramente se reúnem tantos técnicos no mesmo local. Então, vai haver uma troca de experiências muito rica e certamente nosso trabalho vai dar bons frutos a médio e longo prazos. O mais importante é que, além de estarmos fortalecendo o judô de São Paulo, vamos fortalecer o relacionamento entre os professores e atletas. Fico muito feliz em poder participar da excelente equipe que comanda esta iniciativa. Este é o real sentido do jita-kyoei. ”

O professor Alexsander Guedes, do Grêmio dos Servidores Municipais de Cubatão, entende que São Paulo tem de aproveitar a grande quantidade de atletas para produzir mais qualidade no judô.

“Eu tenho certeza de que a FPJudô abriga grande parte dos judocas federados e não federados do Brasil, mas muitas vezes um judoca vai disputar um campeonato numa cidade distante e, mesmo tendo passado por uma ou duas fases eliminatórias, na final ele toma um ippon na primeira luta e nem é repescado. Ou seja, viajou para muito longe por nada. Por isso, nós pensamos em criar o treinamento de campo nos moldes do que já existe na Europa. Com isso nós conseguimos reunir técnicos e atletas que já estão no mesmo lugar para trabalhar os fundamentos, discutir propostas e ideias. Para os judocas isso é perfeito porque os melhores de cada classe e categoria de peso estarão reunidos no mesmo local. O ganho técnico é muito grande e até mais importante que a competição. O judoca que mora longe poderá fazer randori de altíssimo nível com os melhores da sua categoria no Estado. Será oferecida capacitação para o atleta e para o técnico.”

Professor Hatiro Ogawa, do Hombu Budokan © FPJCOM

Guedes enfatizou que, independentemente do resultado obtido no campeonato, o judoca vai conhecer atletas de várias regiões e treinar com eles. Algo em torno de 20 a 25 parceiros. “Se todos ficarem no treino e a gente conseguir passar os fundamentos, o ganho será gigantesco e em breve São Paulo terá equipes fortíssimas. Esta vivência vai contribuir para a evolução técnica do nosso filiado e do sensei dele”, disse. E avisou que outras ações estão sendo pensadas.

“Estamos projetando fazer uma preparação mais completa para o campeonato brasileiro, na qual o pessoal possa se encontrar mais vezes antes de embarcar para as competições”, adiantou Guedes. “E tudo com o objetivo não apenas de sermos os melhores, mas para produzirmos atletas mais completos para as seleções principais e capacitar nossos professores e técnicos.”

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