Judô paulista celebra inclusão e tradição com a participação de jovem atleta indígena em torneio regional

Judô paulista celebra inclusão e tradição com a participação de jovem atleta indígena em torneio regional

 

A participação de atletas indígenas no judô representa muito mais do que resultados dentro do tatami, Ela carrega história, tradição, identidade e a continuidade de valores que atravessam gerações. Foi esse simbolismo que marcou o ultimo final de semana esportivo no interior paulista.

Durante o 6º VI Torneio Aberto de Judô Sen sei Emerson Yeiki Goya, organizado pela 16ª Delegacia Regional Sul da Federação Paulista de Judô (FPJUDÔ) em parceria com a Associação Projeto Judô Goya, o evento contou com a estreia oficial do atleta indígena Brayan — Awa Tawidjú, cujo nome significa “homem da pedra que sai faísca”. Pertencente à etnia Guarani Nhandewa, da cidade de Barão de Antonina/SP, Brayan competiu pela Academia Centro de Artes Marciais/Itaporanga, sob orientação do Sensei Vinícius Castilho.

Aos 11 anos, Brayan retomou os treinamentos na pré-adolescência após ter iniciado no judô aos 5 anos de idade. A relação de sua família com o esporte vem de gerações: seu pai, Natan — Awa Mboka (“homem das armas”), também treinou judô em um projeto social da cidade vizinha e hoje atua como cacique de sua comunidade indígena.

 

Para o atleta, vestir o judogi e pisar no tatami carrega um significado que vai além da competição.”Levar a tradição indígena para o tatami é especial. O judô e a minha cultura têm valores parecidos. No judô a gente aprende respeito, disciplina e cuidado com os outros. Na minha cultura indígena também tem muito respeito pela natureza, pelas pessoas e pelos mais velhos.” Declarou Brayan — Awa Tawidjú

 

A conexão entre o judô e a cultura indígena também se manifesta nas tradições de luta do seu povo. Brayan aponta semelhanças entre o esporte olímpico e a luta tradicional Uca-Uca, especialmente no critério de pontuação.”Na luta Uca-Uca, para vencer, tem que derrubar de costas. É parecido com o judô.” Lembrou o jovem atleta Brayan — Awa Tawidjú

 

A competição marcou seu primeiro campeonato oficial pela Federação Paulista de Judô, representando sua equipe, sua cultura, suas raízes e a juventude indígena dentro do esporte.

 

A Academia Centro de Artes Marciais/Itaporanga ressaltou o caráter da participação do atleta: “Para nós, como equipe e como professores, é motivo de muito orgulho ver o Brayan representando sua cultura dentro do judô. O esporte tem o poder de unir histórias, valores e tradições, e a presença dele no tatami mostra exatamente isso. Tive também a honra de ser professor do pai dele, o cacique Natan, quando treinava judô em um projeto social da região. Hoje poder acompanhar o filho dele dando continuidade nessa caminhada dentro do esporte é algo muito especial e emocionante para todos nós.”Declarou o técnico Marcus Vinícius Castilho

 

A presença de Brayan no torneio também foi destacada pela Fpjudô o Delegado da 16ª Delegacia Regional Sul e Vice-Presidente da Federação Paulista de Judô, Takeshi Yokoti, reforçou a importância de iniciativas que ampliem o acesso ao esporte: “A inclusão é um dos valores do judô paulista. Ver um atleta indígena como o Brayan competindo oficialmente pela Federação nos enche de orgulho e reforça o compromisso que temos em levar o judô a todas as comunidades, respeitando suas culturas, suas tradições e suas histórias. O tatami é um espaço de igualdade, onde cada atleta encontra a oportunidade de crescer, evoluir e representar suas raízes. Esse é o espírito do judô.” Declarou Takeshi Yokoti, Delegado e Vice-Presidente da FPJUDÔ

 

Mais do que uma estreia individual, a participação de Brayan no 6º Torneio Aberto de Judô Sen sei Emerson Yeiki Goya simboliza um passo na construção de um judô paulista com diversidade, pluralidade e conexão com as identidades que formam o estado de São Paulo

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